Demanda por transporte aéreo de passageiros continua com alta moderada

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Foto: Aeroportos Brasil Viracopos

A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA – International Air Transport Association) anunciou os resultados globais do tráfego de passageiros de setembro de 2019, com a demanda (medida em passageiros-quilômetros pagos transportados, ou RPKs) apresentando crescimento de 3,8% em relação ao mesmo período do ano passado, resultado praticamente igual ao de agosto.

A capacidade (medida em assentos disponíveis por quilômetro, ou ASKs) em setembro de 2019 teve aumento de 3,3% e a taxa de ocupação aumentou 0,4%, atingindo 81,9%, que é um novo recorde para o mês de setembro.

“Setembro é o oitavo mês consecutivo de crescimento da demanda abaixo da média. Com o declínio da atividade comercial mundial e as guerras tarifárias, aumento das tensões políticas e geopolíticas e a desaceleração da economia global, é difícil ver um sinal de mudança no curto prazo”, disse Alexandre de Juniac, diretor geral e CEO da IATA.

Mercados internacionais de transporte aéreo de passageiros

A demanda internacional de transporte aéreo de passageiros em setembro aumentou 3,0% em comparação a setembro de 2018, um declínio em relação ao crescimento de 3,6% registrado em agosto de 2019 versus agosto de 2018. Todas as regiões registraram aumento no numero de passageiros transportados, lideradas pelas companhias aéreas da América do Norte. A capacidade subiu 2,6% e a taxa de ocupação aumentou 0,3%, atingindo 81,6%.

As companhias aéreas da região Ásia-Pacífico registraram aumento de 3,6% no transporte de passageiros em setembro de 2019 em relação ao mesmo período do ano passado, um aumento em relação ao crescimento anual de 3,3% registrado em agosto. Apesar da alta, o crescimento permanece bem abaixo do nível observado em 2018, resultado do cenário econômico enfraquecido em alguns dos principais mercados da região, além das tensões comerciais entre os Estados Unidos e a China e, mais recentemente, entre o Japão e a Coreia do Sul. A agitação política em Hong Kong também contribuiu para diminuir a demanda regional e levou a redução significativa de voos de/para este hub. A capacidade aumentou 5,0% e a taxa de ocupação caiu 1,1%, atingindo 78,2%.

As companhias aéreas da Europa apresentaram aumento de 2,9% na demanda de passageiros de setembro de 2019, o desempenho mais fraco da região até agora e uma redução considerável em relação ao aumento ano a ano de 4,2% registrado em agosto. Além da atividade econômica desacelerada e a confiança enfraquecida nos negócios em muitas das principais economias europeias, o resultado também foi afetado pela queda no número de companhias aéreas e greves de pilotos. A capacidade aumentou 2,5% e a taxa de ocupação aumentou 0,3%, atingindo 86,9%, o mais alto entre as regiões.

As companhias aéreas do Oriente Médio apresentaram aumento de 1,8% no transporte de passageiros em setembro de 2019, que ficou abaixo do crescimento de 2,9% registrado em agosto. A capacidade aumentou apenas 0,2% e a taxa de ocupação subiu 1,2%, atingindo 75,2%. O crescimento do tráfego internacional continua sendo afetado por uma mistura de desafios estruturais de algumas das grandes companhias aéreas da região, riscos geopolíticos e confiança enfraquecida nos negócios em alguns países.

As companhias aéreas da América do Norte apresentaram aumento de 4,3% na demanda internacional em setembro de 2019 em relação ao mesmo período de 2018, bem acima do crescimento de 2,9% registrado em agosto e o melhor desempenho entre todas as regiões. A capacidade aumentou 1,6% e a taxa de ocupação subiu 2,2%, atingindo 83,0%. Esse aumento está ligado ao aumento dos gastos dos consumidores e criação contínua de empregos.

As companhias aéreas da América Latina apresentaram aumento de 1,2% na demanda em setembro em relação ao mesmo mês do ano passado, uma queda em relação ao crescimento anual de 2,3% registrado em agosto. A capacidade caiu 1,6% e a taxa de ocupação subiu 2,3%, atingindo 82,5%. As transportadoras latino-americanas continuam enfrentando vários desafios, incluindo confiança econômica e comercial enfraquecida, agitação política e social em mercados importantes e exposição cambial devido ao fortalecimento do dólar americano.

As companhias aéreas da África registraram aumento de 0,9% em setembro, resultado bem abaixo da taxa de 4,1% de agosto. Mesmo com a recente volatilidade nos números, o crescimento do tráfego no terceiro trimestre de 2019 permanece sólido, em torno de 3% ano a ano. A capacidade aumentou 2,5%, mas a taxa de ocupação caiu 1,1%, atingindo 71,7%.

Mercados domésticos de passageiros

A demanda por viagens domésticas aumentou 5,3% em setembro em relação a setembro de 2018, que ficou acima do crescimento anual de 4,7% registrado em agosto. A capacidade aumentou 4,7% e a taxa de ocupação subiu 0,5%, atingindo 82,3%.

As companhias aéreas do Japão apresentaram aumento de 10,1% em setembro no tráfego aéreo doméstico, bem acima do aumento anual de 2,0% registrado em agosto. Porém, os resultados não são precisos devido ao fraco resultado de setembro de 2018, quando voos foram cancelados por causa do tufão Jebi.

As companhias aéreas dos Estados Unidos tiveram aumento de 6,0% no tráfego aéreo doméstico em setembro de 2019 versus setembro de 2018, acima do crescimento de 3,9% registrado em agosto na comparação ano a ano. Assim como no Japão, o desempenho está um pouco acima devido ao ambiente de demanda mais moderada de 2018. Este cenário agora está fortalecido.

Resumindo

“Esta é uma fase cheia de desafios para o setor de transporte aéreo global. Existe pressão vindo de várias direções. Em questão de semanas, quatro companhias aéreas da Europa encerraram suas operações. As tensões comerciais são altas e o comércio mundial está em declínio. O FMI recentemente diminuiu para 3,0% sua previsão de crescimento do PIB para 2019. Se isso ocorrer, esse será o resultado mais fraco desde 2009, quando o mundo lutava para superar a crise financeira global.”

“Em momentos como esses, os governos devem reconhecer o potencial da conectividade da aviação para retomar a economia e acelerar a criação de empregos. Mas, ao invés disso, muitos governos, particularmente na Europa, consideram a aviação como a pata dos ovos de ouro, aumentando impostos e taxas. Esta é a abordagem equivocada. A aviação é o negócio da liberdade. Os governos devem aproveitar seu potencial para impulsionar o aumento do PIB e não impor regimes tributários e regulatórios pesados e punitivos”, disse Alexandre de Juniac.

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