Após cumprir os ritos de publicidade pelo ICA (Instituto Cartográfico da Aeronáutica), responsável pela emissão das novas cartas de procedimentos para utilização da pista expandida em 920 metros, fruto de um investimento de R$ 135 milhões. Com isso a obra de ampliação da pista de pouso e decolagem do Aeroporto Internacional de Porto Alegre foi concluída e homologada pelos órgãos competentes.

Parte das melhorias atribuídas à Fraport Brasil pelo contrato de concessão firmado com a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), as obras da pista deveriam ser entregues em dezembro de 2021. Entretanto, devido à pandemia de Covid-19 e o consequente atraso na desocupação de parte da área da Vila Nazaré, que ficava dentro do sítio aeroportuário, a Agência concedeu mais oito meses de prazo para a conclusão dos trabalhos.

As obras de ampliação da pista começaram em março de 2018 e compreendem uma série de adaptações e projetos que vão além da extensão em si. Em dezembro de 2018, foi entregue a nova via de taxiamento (taxiway) P, o que facilitou o fluxo de aeronaves nos pátios 1 e 2, especialmente as de grande porte, que operam voos internacionais.

No primeiro trimestre de 2019, foram entregues a subestação de energia 2, dedicada ao Terminal de Passageiros, a reforma da RESA (área de segurança de final de pista) da cabeceira 11, e uma série de melhorias nos pavimentos de pistas de taxiamento, acostamentos, muro perimetral e instalação de novas cercas operacionais para prover maior segurança às áreas de movimento de aeronaves.

Em outubro de 2021, iniciaram as obras na área da Vila Nazaré. Foi instalado um muro perimetral e realizada a supressão vegetal. O local passou por duas etapas de limpeza. Foram retiradas 28.388 toneladas de dejetos ao custo de mais de R$ 4,5 milhões. Também foi construída a RESA (área de segurança de final de pista) da cabeceira 29 e instalados os equipamentos de auxílio à navegação aérea.

Drenagem no sítio aeroportuário

Devido à característica do solo e nível do terreno onde se encontra o aeroporto, a Fraport Brasil construiu um novo sistema de drenagem, dividido em cinco bacias de acumulação de águas da chuva.

A água é amortecida e acumulada nestes reservatórios e, por meio da gravidade e de casas de bombas, é direcionada ou para o Rio Gravataí ou para a Casa de Bombas 6 da Prefeitura Municipal de Porto Alegre.

Todas as cinco bacias coletam água da chuva do aeroporto, mas as bacias 1, 2 e 5 coletam também águas das chuvas recebidas do município de Porto Alegre. Somadas todas as bacias, o volume de armazenamento chega a 1.015.371,2 m³ e corresponde a 406 piscinas olímpicas, em uma área de 422.165,7 m², ou 50 campos de futebol.

Apenas 14% deste volume de água vêm do aeroporto e os restantes 86% provém do munícipio de Porto Alegre. Para apoio na operação deste sistema, foram feitas quatro Casas de Bombas (CB) operadas por energia elétrica com backup por grupos geradores individuais.

Com um custo total de R$ 170 milhões, este é considerado um dos maiores programas de drenagem do município.

Capacidade com a ampliação

A pista de pouso e decolagem anterior, com 2.280m, permitia operações com alcance máximo de aproximadamente 9.000km, porém com a capacidade máxima de passageiros e carga aérea limitada (75%). A ampliação para 3.200m permitirá operações de carga completa a uma distância de cerca 12.000km.

Com a ampliação da pista, o aeroporto poderá receber aeronaves dos tipos: B747.400 – 13.450km de autonomia e peso aproximado de 397 toneladas (combinando passageiros, carga e fuselagem), B777.300ER – 11.120km de autonomia e peso aproximado de 300 toneladas (combinando passageiros, carga e fuselagem) e A330-900 – 13.334km de autonomia e peso aproximado de 251 toneladas (combinando passageiros, carga e fuselagem).

A extensão será um diferencial para a indústria gaúcha, que hoje precisa transportar a maior parte da sua produção por rodovia até São Paulo para, então, seguir ao destino por via aérea ao destino no exterior.

ILS (Instrument Landing System)

A Fraport Brasil recebeu, no dia 20 de abril, a formalização da homologação dos equipamentos de auxílio às operações de pouso e decolagem, dentre eles, o Instrument Landing System (ILS) pelo CINDACTA II (Segundo Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo).

A operação CAT II exige visibilidade horizontal maior que 300 metros de comprimento e visibilidade vertical maior que 30,5 metros. Contudo, vale ressaltar que os pilotos devem possuir habilitação para operar ILS CAT II e as aeronaves devem estar equipadas para tal. Ou seja, o CAT II exige determinadas condições para operação.

Entretanto, é importante ressaltar que o aeroporto nunca fecha. A Torre de Controle, por meio dos dados coletados pelos equipamentos instalados ao lado da pista, alerta quais são as condições de visibilidade. A decisão de pousar, ou não, é sempre do piloto, de acordo com seu treinamento e características da aeronave.

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