Gol tem reserva financeira de mais de 10 meses para operar na crise e deve devolver aeronaves

Companhia está atenta ao desenvolvimento da crise e ações são positivas para continuar uma operação sadia

A Gol Linhas Aéreas continua fornecendo atualizações mensais de resultados e liquidez para seus constituintes e stakeholders e emitiu hoje uma nota ao mercado com informações relevantes financeiras e operacionais.

A empresa informa que está em uma posição robusta com mais de 10 meses em reservas de caixa para se proteger e se fortalecer nessa crise.

A Gol acredita que estará bem posicionada no mercado durante sua recuperação, devido à sua malha doméstica que atende tanto os passageiros de negócios quanto os de lazer. Atualmente, a companhia possui uma forte posição competitiva e vislumbra a oportunidade de expandir esse posicionamento em um cenário de recuperação, dentro de um setor menor e mais estruturado.

A companhia realizou as necessárias reduções de custo com rapidez e aumentou a liquidez para atravessar a crise. Para preservar recursos, a administração adotou diversas medidas de economia de custos, incluindo o diferimento de custos de manutenção pesada e mais de 6 mil licenças voluntárias não remuneradas de colaboradores (~40% de sua força de trabalho).

Com limitada visibilidade quanto à recuperação, o cenário atual de planejamento da Gol assume uma capacidade de (-45)% ao ano 2020, incluindo (-30)% ao ano no 4º Trimestre de 2020, mantendo ainda flexibilidade para responder às tendências preponderantes da demanda.

A companhia está mantendo seu conservadorismo em suas previsões de consumo de caixa, o que é prudente em função de uma provável curva mais longa de recuperação da demanda, especialmente para viagens internacionais (que correspondiam a 15% da capacidade de voo da Gol antes da pandemia). Sobre essas premissas conservadoras, a companhia estima que possui mais de 10 meses de caixa disponível, incluindo o pagamento integral de todas as despesas financeiras e dívidas.

Com base nos atuais níveis de liquidez da Gol, assim como no seu modelo flexível de gestão da frota, que permite oferecer a menor estrutura de custos entre seus pares, e na sua malha consolidada no Brasil, a companhia acredita ter uma forte vantagem em uma recuperação em relação à concorrência.

A Gol paralisou 120 aeronaves (~92% de sua frota) desde 28 de março, e os voos em abril foram operados do aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, para todas as capitais brasileiras e o Distrito Federal, o que representa 7% do realizado em abril de 2019.

Ao final de maio, espera-se que esse patamar de operações esteja em 12% do realizado no ano passado, com a planejada reabertura das bases nos aeroportos de Foz de Iguaçu, Navegantes e Maringá, assim como o reinício de um número limitado de voos a partir de Congonhas, São Paulo, para os aeroportos de Santos Dumont e Galeão, no Rio de Janeiro.

Com a devolução de sete aeronaves Boeing 737-800 no 1º Trimestre de 2020 e de outros quatro Boeing 737-800s pretendidos no 2º Trimestre de 2020, a Gol planeja devolver um total de 18 aeronaves arrendadas em 2020 (e pode retornar até outras 30 em 2021-22). Em decorrência de uma demanda esperada mais fraca e da necessidade de menores custos de arrendamento por assento-quilômetro, a companhia atualmente avalia uma redução de frota focada nos seus 23 Boeing 737-700s (15% do total de assentos). Além disso, a Gol cortou os recebimentos do Boeing 737 MAX para 2020/2021/2022 em 14/20/13 aeronaves, e reduziu o CAPEX em R$200 milhões para um total de R$300 milhões entre maio e dezembro, com planos de financiar totalmente o CAPEX/revisão de motores remanescentes em 2020.

Custos-caixa operacionais brutos: a Gol reduziu seus custos-caixa operacionais brutos para R$9 milhões/dia em abril, e espera R$8 milhões/dia para maio, não considerando receitas, reembolsos de TAE, e pagamentos de dívidas não relacionadas a aeronaves. Os pagamentos de custos-caixa para endividamento em geral não vinculado a aeronaves, adicionaram R$2 milhões/dia em abril. O valor consolidado de R$11 milhões/dia é uma melhoria em relação ao plano inicial de R$12 milhões/dia, que inclui o impacto de reembolsos de passagens e custos com colaboradores.

Custos-caixa operacionais líquidos: a Gol teve um consumo líquido de caixa de R$ 6 milhões/dia em abril, o que inclui receitas de aproximadamente R$5 milhões/dia. Com a implementação da MP 925, a maioria dos passageiros está realizando remarcações e mantendo o crédito das passagens ao invés de solicitar reembolsos, limitando as saídas de caixa relacionadas à receita líquida. Os custos com salários foram ainda mais reduzidos com os cortes na remuneração dos executivos, redução no número de horas e maior número de licenças não remuneradas. E houve contribuição favorável das operações de carga.

Para o restante de 2020 (maio-dezembro), considerando as receitas do cenário acima mencionado, sem reembolsos de TAE, renegociações em andamento com colaboradores, arrendadores e fornecedores que estão em curso, e com o pagamento integral de despesas financeiras, a companhia prevê um consumo líquido de caixa da ordem de R$5 milhões/dia, um valor que é atualmente melhor do que a estimativa de 30 dias atrás. Incluindo o pagamento integral de dívidas não relacionadas a aeronaves, a companhia estima um consumo líquido de caixa de R$11 milhões/dia, o que propicia à Gol mais de 10 meses de reservas de caixa.

Em 30 de abril, a Gol possuía R$4,0 bilhões em liquidez total, o que garante mais de 10 meses de caixa disponível (excluindo reembolsos e caixa restrito). Incluindo os valores financiáveis de depósitos e ativos não onerados (destacados na tabela), as fontes de liquidez da Gol seria aproximadamente R$7 bilhões.

A companhia está discutindo um financiamento de R$750 milhões a R$1 bilhão, garantido por ativos não onerados (com um LTV de 50-60%). Ela atualmente dispõe de R$1,7 bilhão em ativos não onerados.

Em março, a Gol chegou a um acordo de compensação pela paralização dos Boeing 737 MAX e de reestruturação da carteira de pedidos, pelo qual recebeu R$0,5 bilhão em dinheiro em abril e retém um valor presente total de R$1,9 bilhão a receber nos próximos anos. A companhia não tem pagamentos planejados de novas aeronaves nos próximos 24 meses.

Atualmente, a Gol tem aproximadamente US$100 milhões investidos em um portfólio de 17 milhões de barris de petróleo para os períodos mensais de maio de 2020 a dezembro de 2022. Aproximadamente 65% do portfólio da companhia está em opções de compra out of the money (US$55 de preço médio dos caps) com prêmios pagos em períodos anteriores. Os 35% restantes da carteira estão em zero cost collars com opções de venda em Brent, imunizadas a um preço médio de US$20, totalmente marcadas a mercado e investidas integralmente com depósitos feitos em contrapartes de primeira linha.

A Gol tem reforçado todos os procedimentos para garantir a Saúde e Segurança de seus clientes e Colaboradores, com atenção redobrada à limpeza dos assentos e dos braços das poltronas, dos cintos de segurança, das bandejas, do piso e das paredes.

Além de praticar os já rígidos padrões de sanitização da aviação civil estabelecidos pelos órgãos responsáveis, a companhia também implementou avançadas medidas adicionais de limpeza e higienização das aeronaves durante as paradas em solo e pernoites, incluindo o uso de um desinfetante de grau hospitalar para as galerias de serviço e todas as áreas de uso intenso no interior da aeronave, incluindo a cabine dos pilotos.

As aeronaves da Gol ainda dispõem do filtro de ar HEPA, que elimina 99,7% de partículas como bactérias, vírus e outras impurezas a bordo, permitindo a circulação de um ar sempre mais puro. A companhia tem distribuído também luvas e máscaras aos seus Colaboradores, além de deixar à disposição, nas aeronaves, álcool em gel para a tripulação e clientes. O uso de máscaras a bordo é obrigatório desde 10 de maio.

Por meio de seu forte relacionamento com as agências de viagens e entidades que representam o tráfego aéreo (ABAV, ABRACORP e BRAZTOA), a Gol manteve a liderança de vendas em todos os segmentos, com destaque para viagens corporativas segundo dados da ABRACORP. No 1º Trimestre de 2020, a companhia obteve a melhor avaliação no portal Consumidor.gov.br, liderando nos quesitos índice de solução, índice de satisfação e prazo médio de resposta.

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