VASP – Viação Aérea de São Paulo (Brasil)

Fundada em 4 de novembro de 1933 e com início de atividades em 12 de novembro, a VASP só recebeu autorização para voar em 31 de março de 1934, através do decreto 24.070 para iniciar suas operações, que de fato ocorreram somente em 16 de abril com os voos de São Paulo (Marte) para Ribeirão Preto – Uberaba e São Paulo (Marte) para São Carlos – Rio Preto. Os aviões foram dois Monospar ST-4 (PP-SPA e PP-SPB). Em novembro a empresa recebeu um bimotor De Havilland 84 Dragon para 8 passageiros.

Devido as constantes inundações no Campo de Marte as operações da VASP eram constantemente suspensas por falta de condições de operações daquele aeroporto. No ano de 1935, no dia 10 de março, o controle da companhia passou para o Governo do Estado de São Paulo que passou a fornecer uma subvenção anual que permitiu a VASP aumentar a frota em julho de 1936 com 2 Junkers JU-52-3M (PP-SPD e PP-SPE).

Em 5 de agosto de 1936, com os Junkers, a VASP inaugurava a linha São Paulo (Congonhas) – Rio de Janeiro, seis vezes por semana, iniciando uma nova era no transporte aéreo brasileiro. O voo durava 1h40min e foi reduzido para 1h15 pouco tempo depois. Em 23 de março de 1937 abria linha do Rio para Belo Horizonte.

Em julho de 1937 a companhia recebia o terceiro Junkers (PP-SPF) e passava a fazer dois voos diários entre São Paulo e Rio. Em 1938 a linha São Paulo – Ribeirão Preto foi estendida para Araxá – Uberlândia – Araguari – Ipameri – Pires do Rio – Anápolis e Goiânia.

Em 28 de outubro de 1939 a VASP comprou a Aerolloyd Iguassu e assumiu as linhas de São Paulo para Curitiba e de lá para Joinville e Florianópolis. A rota de Uberaba – Governador Valadares – Poços de Caldas – São Paulo era inaugurada. Em 30 de novembro a VASP passou a atender a cidade de Florianópolis, via Curitiba, e em 28 de novembro de 1940, Porto Alegre. Naquele ano a rota Rio – Belo Horizonte passou a ser diária e a Rio – São Paulo já tinha cinco voos diários.

No pós guerra, em 17 de fevereiro de 1949, o governador do Estado de São Paulo, Adhemar de Barros, comprou a Aerovias Brasil e seu controle foi assumido pela VASP. Cinco meses depois a VASP revendeu a Aerovias para Adhemar de Barros e Olavo Fontoura, Fontoura revendeu sua parte a Adhemar de Barros e em agosto de 1954 vendeu a Aerovias para a Real.

Em 1951 a VASP comprou 9 Douglas DC-3, excedentes de guerraa, passando a sua frota a contar com 25 aeronaves do tipo e um sexto Saab Scandia. Em 1953 a VASP realizava um total de 15 voos diários entre São Paulo e o Rio de Janeiro. Eram tempos de expansão Curitiba voltou a ser servida em 1955 e criadas rotas como São Paulo – Campo Grande e Cuiabá, graças a chegada de outras quatro aeronaves Saab Scandia. Em 1956 foi a vez de Belo Horizonte receber os serviços da companhia paulista. Em 10 de maio de 1957 a Vasp comprou cinco Viscount 827 turboélices, capaz de transportar até 56 passageiros. Naquele ano inaugurou linhas para Brasília e do Rio de Janeiro para Natal, pela costa. Comprou da SAS outras oito aeronaves Scandia. O primeiro Viscount 827 chegou em 3 de novembro de 1958, quando a empresa já atendia dez capitais e a capital da República.

Em 7 de novembro de 1960 a empresa inaugurou a rota São Paulo – Rio de Janeiro – Brasília – Belém, com um Viscount 827, prefixo PP-SRH. Em 7 de agosto de 1961 a VASP assumiu as rotas do Tocantins e do Araguaia, anteriormente operadas pela Cruzeiro, que as abandonara. Em 7 de janeiro de 1962 a VASP comprou a empresa Loide Aereo

Em 1985 a empresa obteve uma média de 66% de aproveitamento com os Airbus A300 debutando nas linhas de Porto Alegre, Recife e Salvador. A empresa chegou a efetuar charters para Aruba, Bariloche e Miami.

Em 1986 sua frota era composta por 3 Airbus A300B2K, 2 Boeing 727-200, 21 Boeing 737-200, 2 Boeing 737-200F e 3 Boeing 737-300.

Os fretamentos para Orlando foram realizados até 31 de janeiro de 1987 com os Airbus A300B2. Neste ano a empresa adicionou mais 3 Boeing 737-300 a frota, totalizando 6 unidades. As novas aeronaves foram empregadas na Ponte Aérea Alternativa, entre São Paulo – Congonhas e Rio de Janeiro – Galeão, pois o Aeroporto Santos Dumont ainda não estava homologado para operações a jato e também inaugurou a linha Rio – Galeão / Campinas.

Em 1988 a empresa obteve 32,3% do mercado doméstico e abriu uma nova rota em 5 de abril, de Guarulhos para Londrina, via Curitiba. No dia 25 de maio outra nova rota de Guarulhos, agora para Vilhena, numa escala do voo para Belém, via Campo Grande e Cuiabá. Em 25 de junho a empresa voltou a realizar os charters para Orlando, com o Airbus A300.

Em 1989 a empresa deixou de operar para as cidades de Carajás e Tucuruí no Pará. Algumas reduções de frequências, quadro de pessoal, venda de dois Boeing 727-200 e ajustes que fizeram a empresa cair para 29,7% de participação no mercado. No mês de maio de 89 a empresa realizou sua primeira rota internacional regular no dia 19 de maio, no trecho Guarulhos – Manaus – Aruba, com um Boeing 737-300. Neste ano, para substituir os Boeing 727, a Vasp alugou dois Boeing 737-300. A empresa até tentou vender seus Airbus A300, porém o Estado de São Paulo, através de sua Assembleia Legislativa, bloqueou a operação porque fora encaminhada em 28 de junho um processo de privatização da empresa, o que suspendia qualquer operação da empresa no que dizia respeito a venda de ativos.

Em 1990 a empresa fez uma adequação ao mercado, cortou linhas, funcionários e até alugou um de seus Airbus A300 para a Lloyd Aéreo Boliviano, para fazer caixa. No dia 4 de setembro de 1990 a empresa foi privatizada. O Grupo Voe/Canhedo ficou com 60% das ações e o Governo do Estado de São Paulo com 40%. Em 1º de outubro daquele ano Canhedo assumia o controle da Vasp e trazia novas aeronaves para a empresa. A frota deu um salto e estava consolidada um ano após com 3 Airbus A300B2K, 21 Boeing 737-200, 2 Boeing 737-200 Cargueiros, 20 Boeing 737-300, 3 Boeing 737-400, 4 Douglas DC-8-71F e 3 Douglas DC-10-30. A nova administração encomendara também dois McDonnell Douglas MD-11. Aruba passou a ser servida pelo DC-10 no lugar do Boeing 737-300, Buenos Aires com os Boeing 737-300, Los Angeles e San Francisco com DC-10-30. Esta grande investida marcou negativamente a imagem do empresário Wagner Canhedo no mercado, fato que logo irão ler.

Em julho de 1992 a empresa começou a voar para Seoul, na Coréia do Sul, e Bruxelas, na Bélgica, com seus McDonnell Douglas MD-11. As aeronaves Douglas DC-8-71F estavam operando na rota para Miami, exclusivamente com carga. Em 92 a empresa alugou um Boeing 707-321C para carga, devolveu um Douglas DC-8 e quatro Boeing 737-300. M

Em 1993 sua frota sofreu um revés fortíssimo, pois o atraso no pagamento de aluguel das aeronaves fez com que o arrendador retomasse judicialmente 14 Boeing 737-300, 3 Boeing 737-400, 3 Douglas DC-8-71F e 3 Douglas DC-10-30, ficando a frota reduzida a 3 Airbus A300B2K, 2 Boeing 707-321CF, 16 Boeing 737-200, 2 Boeing 737-200F, 2 Boeing 737-300 e 2 McDonnell Douglas MD-11.

Em 1994 recebeu mais duas aeronaves McDonnell Douglas MD-11 e devolveu um Boeing 707 Cargueiro. Naquele ano transportou 2.897.000 passageiros com uma média de aproveitamento em 58% e passou a voar para Miami e New York.

Em 1995 a Vasp iniciou voos para Barcelona, Toronto e Zurich com os McDonnell Douglas MD-11. A Vasp adquiriu o controle da empresa TAN, da Argentina, baseada em Neuquen, da Ecuatoriana de Aviacion e também 49% da Lloyd Aéreo Boliviano.

Em 1996 a empresa expandia sua malha internacional com voos para Atenas, Casablanca, Frankfurt e Osaka, no Japão. Um novo MD-11 entraria para a frota e a Vasp criaria a Vaspex, empresa de entrega expressa de carga.

Em 1997 a empresa transportaria ainda mais, chegava aos 4.552.871 passageiros. Um ano após a empresa assinava acordos de code-share com a Sabena e a Continental Airlines, além de inaugurar uma rota de Guarulhos para Ribeirão Preto e São José do Rio Preto. Foi um ano muito positivo para a companhia com 5.377.777 passageiros embarcados.

Em 1999 a Vasp tivera uma grande queda em seu movimento internacional e transportou somente 886.420 passageiros mais 3.303.981 em voos domésticos, este também com queda de quase 20%. Sua frota estava composta por 3 Airbus A300B2, 21 Boeing 737-200, 7 Boeing 737-300 e 8 McDonnell Douglas MD-11.

Em 2000 devolveu três Boeing 737-300 e todos os McDonnell Douglas MD-11 em maio por alta nas taxas da moeda americana e consequentemente deixou de voar para o exterior.

Em 2001 passou a ter foco exclusivamente no cenário doméstico. Em 2002, já sofrendo concorrência por parte da Gol, os números baixaram para 3.357.705 passageiros embarcados.

Em 2003 a empresa passou para o quarto lugar entre as empresas nacionais, atrás de Tam, Varig e Gol.

Em 2004, seu último ano de operação, transportou 2.454.275 passageiros com uma queda de 19,2% no volume transportado comparados os anos de 2004 e 2003. Neste período sua demanda (RPK) caiu 19,7%. Já tinha deixado de voar para 7 cidades brasileiras quando o DAC impediu a empresa de voar com alguns de seus Boeing 737-200.

Em 10 de março de 2005 a VASP sofreu intervenção, a pedido do Ministério Público do Trabalho do Estado de São Paulo, do Sindicato Nacional dos Aeroviários e do Sindicato Nacional dos Aeronautas. Em junho o passivo da empresa era de R$ 3,3 bilhões de reais. O plano de recuperação da VASP, ao qual tivemos acesso, mostra que a empresa pretende operar novamente como uma Low Fare, nos moldes atuais da Gol Linhas Aéreas, caso seja aprovado seu plano. O documento também informa que seus administradores atuais (Canhedo) não terão qualquer poder sobre os fundos que estarão sendo constituídos pela VASP. Deverão ser disponibilizados para arrendamento 2 Boeing 737-200 e 1 Boeing 737-300, assim como outros ativos. A VASP buscará trabalhar com hubs, que permitam redução de custos operacionais. A VASP necessita hoje de US$ 500 mil dólares para colocar em operação, devidamente revisados, 2 Boeing 727-200 e 1 Boeing 737-200 no setor de cargas.

Em janeiro de 2006 seu setor de manutenção voltou a operar, dentro dos prazos previstos no cronograma de recuperação da empresa. Segundo o documento, no mês de março, deverão retomar as operações com os cargueiros mencionados. O plano foi elaborado por uma consultoria, que tem a frente o ex-ministro Maílson da Nóbrega e um escritório de advocacia.

Até novembro de 2006 a VASP já tinha atendido em seu Centro de Manutenção, em Congonhas, aeronaves da Air Brasil, BRA e Skymaster. A empresa naquela época ainda planeja sua volta aos ares, fato que nunca mais ocorreu.

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